3.10.08 @14:07
Allegra está de volta ao Circo da Poesia.
Depois de uma interrupção de suas apresentações, motivada por problemas técnicos, ela volta para nos alegrar (não é um trocadilho) e emocionar com suas confissões e reflexões acerca da vida.
Um grande beijo
Cátia Andressa da Silva
Cena IV
(ALLEGRA senta-se no palco e tudo fica amarelado, envelhecido...)
ALLEGRA - E assim eu me lembro de meus avós... Doces avós... Lembro do quanto eram especiais, deliciosos, embora fedessem.
É verdade, sem hipocrisia, cheiro de velho é ruim, mas é tão aconchegante, tão bom de estar ali juntinho.
Nossos avós sempre tinham algo pra contar, ou têm, alguns ainda possuem seus avós. E você nunca se cansava de ficar ali, ao redor
da grande mesa de jantar escutando, prestando atenção naquelas mãos enrugadas, clarinhas, cheias de rasgos azuis, naqueles
olhos velhos, mas muito sagazes, na expressão feliz dos seus primos e irmãos e dos próprios avós. Sabe que o ser humano
se constitui pela forma que foi tratado pelos pais de seus pais. É, porque pai e mãe não contam, eles te educam, eles sempre
são severos, dizendo o ser pro seu próprio bem, mas os avós não. Eles deixam que sua personalidade seja criada sem amarras,
falsos pecados, moralismos, hipocrisias. E que vivam os avós. Palmas para os avós.
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6.9.08 @16:50
Bar Ruim é Lindo, Bicho
por
Antonio Prata
Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins.
Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem).
No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.
"Ô Betão, traz mais uma pra gente", eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit- gateau e não tem frango a passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha.
Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango a passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.
A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil.
Assim como não é qualquer bar ruim.
Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.
Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.
Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse.
O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas.
Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó.
Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV.
Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider.
Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico.
E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem.
Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo.
Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato.
Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae.
Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil!
Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo.
Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).
- Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?
Imagem: http://www.joaowerner.com.br/images/urbanos/boteco.htm
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24.8.08 @23:58
só pra que não fique esquecido
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3.8.08 @14:29
Hoje deixo aqui um de meus preferidos dentre todos,
Fernando Pessoa. Pessoa aqui, no seu "outro",
Álvaro de Campos.
E a poesia escolhida pra isso é
Saudação a Walt Whitman.
Deliciem-se, como eu, sempre...
Cátia Andressa da Silva (deste picadeiro)
...
Abram-me todas as janelas!
Arranquem-me todas as portas!
Puxem a casa toda para cima de mim!
Quero viver em liberdade no ar,
Quero ter gestos fora do meu corpo,
Quero correr como a chuva pelas paredes abaixo,
Quero ser pisado nas estradas largas como as pedras,
Quero ir, como as coisas pesadas, para o fundo dos mares,
Com uma voluptuosidade que já está longe de mim!
Não quero fechos nas portas!
Não quero fechaduras nos cofres!
Quero intercalar-me, imiscuir-me, ser levado,
Quero que me façam pertença doída de qualquer outro,
Que me despejem dos caixotes,
Que me atirem aos mares,
Que me vão buscar a casa com fins obscenos,
Só para não estar sempre aqui sentado e quieto,
Só para não estar simplesmente escrevendo estes versos!
Não quero intervalos no mundo!
Quero a contigüidade penetrada e material dos objetos!
Quero que os corpos físicos sejam uns dos outros como as almas,
Não só dinamicamente, mas estaticamente também!
Quero voar e cair de muito alto!
Ser arremessado como uma granada!
Ir parar a... Ser levado até...
Abstrato auge no fim cie mim e de tudo!
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28.6.08 @21:42
"O humor: centelha divina que descobre o mundo na sua ambigüidade moral e o homem em sua profunda incompetência para julgar os outros: o humor: embriaguez da relatividade das coisas humanas, estranho prazer nascido da certeza de que não há certeza."
(Milan Kundera)
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24.4.08 @01:13
galera de novo hamburgo... eis o roger correa, um educador social do caralho... precisamos que vocês compareçam às zonas eleitorais no dia 18 de maio e contribuam para construirmos um conselho tutelar realmente comprometido com o estatuto da criança e do adolescente...
um beijinho
cátia andressa da silva
Roger Corrêa, 25 anos, é natural de Novo Hamburgo e acadêmico do curso de História. Possui diversas experiências como profissional e militante na defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes.
Há dois anos Roger trabalha no Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA/PROAME), de São Leopoldo, onde atua no Projeto Centro de Referência "Olhos da Rua", voltado para crianças e adolescentes em situação de rua, e no "Ciclo de Estudos sobre Infância e Juventude no Vale do Sinos". Neste projeto desenvolve ações de capacitação para conselheiros de direitos, conselheiros tutelares, profissionais de ONGs, gestores públicos, adolescentes, e demais profissionais da área da infância e juventude. Atualmente Roger também é membro da coordenação diretiva do CEAMEM, e vice-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Novo Hamburgo.
PRINCIPAIS PROPOSTAS
COMO CONSELHEIRO TUTELAR ROGER DEFENDERÁ:
- ATENDIMENTO FOCADO NA LÓGICA DA GARANTIA DE DIREITOS;
- MAIOR INTEGRAÇÃO DO CONSELHO TUTELAR COM A REDE DE ATENÇÃO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE;
- ESTABELECIMENTO DE UMA RELAÇÃO MAIS PRÓXIMA DO CONSELHO TUTELAR COM AS ESCOLAS, OS CENTROS DE REFERÊNCIA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL (CRAS), OS NÚCLEOS DE APOIO SÓCIO-EDUCATIVO EM MEIO-ABERTO, AS ASSOCIAÇÕES DE MORADORES, OS GRÊMIOS ESTUDANTIS, ENTRE OUTROS POSSÍVEIS PARCEIROS, PARA O DESENVOLVIMENTO DE AÇÕES DE CARÁTER PREVENTIVO E DE ATENDIMENTO;
- MAIOR COMPROMETIMENTO DO PODER PÚBLICO COM AS POLÍTICAS VOLTADAS ÀS CRIANÇAS E ADOLESCENTES, PRINCIPALMENTE COM PROBLEMAS LATENTES, COMO A SITUAÇÃO DE RUA E O ACOMPANHAMENTO ÀS MEDIDAS SÓCIO-EDUCATIVAS DE LIBERDADE ASSISTIDA E PRESTAÇÃO DE SERVIÇO À COMUNIDADE.
"Colocarei toda minha experiência e minha energia no zelo pelo cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente, considerando fundamental para isso amplo diálogo com a Rede de Atendimento e com a comunidade em geral".
(Roger Côrrea)
18-05-08
8:30-17:00
TÍTULO DE ELEITOR E CARTEIRA DE IDENTIDADE
participe da comunidade no
Orkut
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10.4.08 @19:02
Desculpe a ausência
Você chega aqui e nada de novidades né? Pois é, desculpe minha ausência, mas a vida anda, de fato, muito atribulada... O mestrado anda me consumindo em leituras... Além de estar num novo trabalho, num tema completamente novo na minha vida, onde estou sendo desafiada dia após dia. Então... logo, logo eu me organizo (assim espero) e volto com força ao meu picadeiro.
Um super beijo
Cátia Andressa da Silva
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22.3.08 @14:41
Na falta de tempo para uma atualização mais interessante do Circo da Poesia, deixo-os na companhia dos gatinhos musicais que recebi por e-mail do Toni. Achei-os muito engraçados.
Um beijão
Cátia
'mano' na batida do Hip-Hop
nos embalos da música House
curtindo a visceralidade Heavy Metal
na 'viagem' alternativa do Rock n'Roll
clássico como Stevie Wonder
completamente 'extasiado' na Rave
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17.2.08 @20:04
QUATRO DICAS BLOGUEIRAS DO CIRCO DA POESIA
Música
Outro dia ganhei uma dica bacana pra caramba. Foi sobre a
Magazine Brazuca, uma revista ‘bi-nacional’, pode-se dizer. Numa parceria entre Brasil e França, o que se propõe é divulgar e fazer um intercâmbio de suas culturas. Na edição atual, encartado um CD com o que há de novo e BOM, MUITO BOM, no Rock Brasileiro, ou BRAZUCA, se preferir. Tem
Autoramas e mais uma porção de coisas boas.
É possível conhecer o projeto, bem como baixar todas as músicas do CD no blog da revista. Acesse: http://magazinebrazuca.blogspot.com/ para conhecer melhor.
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Moda
Pra quem, como eu, gosta de moda, vale a pena conhecer o
Maria Tá na Moda. São três meninas que se propõem a dar dicas e comentar o assunto de forma criativa e bem humorada. Vale a pena conferir o blog em: http://mariatanamoda.blogspot.com/ e descobrir o que a sociedade está criando, ou melhor, que conceitos estão sendo produzidos no melhor espelho social, a vestimenta.
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Poesia
Poesia realmente nova e provocante está no velho e sempre novo blog
Com Alma, do meu querido amigo virtual
Alessandro de Paula. O poeta paulistano de 30 e poucos anos, autor do livro ‘Palavra Atômica’ retorna, na opinião desta, à sua melhor faceta, traduzida nos poemas cheios de sentimentos e verbos rasgados, contemporâneos, cosmopolitas. Como cidadão notívago, carrega na ambientação sombria, mas mostra uma alma cheia de doçura. Escreve crônicas, contos e críticas especialíssimas, mas a poesia é o que melhor lhe expressa. Vá conhecer em: http://alessandrodepaula.blogspot.com/. Mas atenção: OS PREPOTENTES NÃO SÃO BEM VINDOS.
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Cinema
Para os apaixonados por cinema, uma dica excepcional é
Blog de Blindness, escrito pelo maravilhoso diretor brasileiro
Fernando Meirelles. Ele tem se mostrado um cronista leve e delicioso, ao narrar no blog o dia-a-dia e as curiosidades das gravações do longa, que é baseado num grande romance, ‘Ensaio sobre a Cegueira’, do escritor português José Saramago, e que tem no elenco Juliane Moore, a brasileiríssima Alice Braga e o meu amoreco Gael García Bernal. Pra quem curte making of nos DVD’s, um baita complemento. O endereço é: http://blogdeblindness.blogspot.com/. Vale muito a pena.
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13.2.08 @00:03
É PRECISO SABER AMAR
Minha doce amiga Rita Poeta (Portella) falou que têm pessoas que sabem amar... e que eu sou uma delas. Respeitando todas as mensagens de carinho que recebi no meu aniversário, confesso que esta me tocou muito. Fiquei então, os últimos doze dias ‘matutando’ e tentando compreender de onde vem esse tal amor.
Certa vez, li sobre o “amor filosófico”, que é aquele que você sente de graça, sem esperar o retorno. Na verdade, o retorno deste tipo de amor é o próprio ato de amar... amar a tudo, a todos... essa é minha forma preferida de amor. Tenho o amor tatuado (literalmente) na minha pele, traduzido numa frase do filósofo Agostinho:
Mensura Amoris Amor Sine Mensura. Traduzindo:
A Medida do Amor é o Amor sem Medida. É o amor descompromissado, o amor pelo ser humano simplesmente por ele existir, sem olhar mais nada e perceber o quanto é belo estar aqui. Simples assim...
Na verdade, nada tem aqui de simples, porque amar dói muito. Em algumas vezes é uma dor boa, gostosa, a dor de pensar muito em quanto você ama determinada pessoa ou coisa. Em outras, é aquela dor rasgada, da saudade, da mágoa, do ciúme.
Além disso, também é complicado porque amar é forte, exige dedicação, exige um desprendimento de sua própria alma. Talvez aqui esteja o olhar da Rita, quando sugere que “é preciso SABER amar”.
Daí continuo matutando sem chegar a conclusão, ou fórmula, ou segredo algum. Só continuo amando...
Tô escrevendo um outro post sobre amor, falando de pessoas que são amadas por mim e enumerando a falta de motivos pra isso. Está surpreendendo a mim mesma. Aguardem...
Besitos
Cátia
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2.2.08 @00:55
Fiz 27... Adoro 'aniversariar'. Sempre fico pensando no quanto cresci (ou não), no quanto me transformei...
Estou disposta, a partir de agora, a dar muito mais risada, pois descobri que nada me atinge quando me permito.
Beijooooooooooo
Cátia
Pra isso, catei um e-mail que recebi em 2003 e havia sido guardado nos meus arquivos. Me faz rir, ou melhor, gargalhar. Divirta-se!
25 REGRAS DE COMPORTAMENTO NO ELEVADOR
1) Quando houver só uma pessoa no elevador, de um tapinha no ombro dela e finja que não foi você.
2) Aperte os botões do elevador e finja que eles dão choque. Sorria e faça novo.
3) Se ofereça para apertar os botões para os outros, mas aperte os botões errados.
4) Segure a porta e diga que está esperando por um amigo. Depois de um tempo, deixe a porta fechar e diga: "Olá Zé. Como vai você?"
5) Deixe cair sua caneta e espere até alguém se oferecer para pega-lá, então grite: 'Ei, é minha!'
6) Traga uma câmera e tire fotos de todos no elevador.
7) Traga uma mesa para dentro do elevador e quando alguém entrar, pergunte se marcaram hora.
8) Leve um Banco Imobiliário e pergunte para as pessoas se elas querem jogar.
9) Deixe uma caixa no canto e quando alguém entrar pergunte se elas ouviram um tique-taque.
10) Finja ser uma aeromoça e revise os procedimentos de emergência com os passageiros.
11) Pergunte: 'Você sentiu isso?'
12) Fique bem perto de alguém, fungando em seu cangote de vez em quando.
13) Quando a porta se fechar, fale: 'Tudo bem. Não entrem em pânico. Ela abrirá novamente'.
14) Mate moscas que não existem.
15) Diga às pessoas que você pode ver sua aura.
16) Grite: 'Abraço grupal', então force as pessoas a se juntarem.
17) Faça caretas dolorosamente enquanto bate na sua testa e murmure: 'Calem a boca, todos vocês, calem a boca!'.
18) Abra sua pasta ou bolsa e enquanto olha dentro dela pergunte: 'Tem ar suficiente aí dentro?'
19) Fique quieto e parado no canto do elevador, encarando a parede.
20) Encare outro passageiro por um tempo, e grite com horror: 'Você é um deles!' e recue devagar.
21) Coloque uma marionete na mão e use-a para falar com os outros.
22) Escute as paredes do elevador com seu estetoscópio.
23) Faça barulhos de explosão quando alguém apertar um botão.
24) Encare outro passageiro por um tempo e fale: 'Estou usando meias novas'.
25) Desenhe um pequeno quadrado no chão com giz e diga para os outros: 'Este é o meu espaço'.
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23.12.07 @20:47
bem, provavelmente este é o último post do ano... tô indo pra praia na quarta e só volto ano que vem, em 2008...
nossa, é louco, essa semana preenchi um cheque pra fevereiro e errei na data, clássico, coloquei 2007.
passei no mestrado em ciências sociais na unisinos em segundo lugar... tô forte no páreo por uma bolsa CAPES. torce aí gente...
não produzi tudo que queria esse ano, mas minha alma mais uma vez se metamorfoseou... e isso é bom, muito bom...
(re)descobri as coisas e as pessoas, do jeito que gosto... amo as pessoas... mensura amoris amor sine mensura.
fui pouco à igreja, mas tive experiências espirituais muito belas...
politicamente foi um ano complicado, as convicções em alguns momentos amoleciam... mas isso é espera...
algumas pessoas foram muito, muito incríveis esse ano. quero deixar beijos especiais pra débora ehlert, pro carlos gadea, pra cris ely, pra ale da rosa, pra ale padilha, pro kiki kipper, pra kika cayser, pro meu mano jéferson, pra vânia ludwig, pro eliandro cantini, pra mali wegner, pra márcia fernanda, pro alessandro de paula, pro alex pizzio, pra karine santos, pra magale konrath, pra sarita hoff, pra ana da fundação semear, pro veccio hilário dick, enfim... pessoas que, mesmo sem querer ou saber, me deram beleza no ano de 2007...
até o ano que vem gente!
beijo
CÁTIA ANDRESSA DA SILVA
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20.12.07 @01:09
Profecia que existe há mais de 200 anos, feita por uma velha índia Cree, a "Olhos de Fogo"
"Um dia, a terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris."
Esse é o lema que inspira o Greenpeace e outras belíssimas entidades do gênero.
Inspiremo-nos também!!! A Terra Clama!!!
Teremos que esperar até que todos tenhamos perdido o espírito?
Cátia Andressa da Silva
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9.12.07 @01:29
melancólica... pra refletir meu estado de espírito. ela já existe há alguns anos, mas sempre volta... não tem sentido, mas o que tem?
esperando a última fase pra trazer as boas novas aos amigos e passantes.
um beijo
DESCASO
Cátia Andressa da Silva
Um tanto quanto secreto
Um tanto quanto perdido
levou tudo tão amarrado
que a distância encarregou-se de nos afastar
Não te quero mais...
Pobre ingenuidade
vivida submersa em sonhos
que com a mesma velocidade
que crescem, desabam...
Tantos valores, crenças, ideais
Garoto!
o cinzeiro abarrotado
de bagas de marlboro.
Você ainda mora
secreto, perdido,
no coração de uma alma inquieta.
Estou perdida
sem rumo,
mas pronta para os segredos
do seu coração.
Não volte pra cá
fique no seu terreiro
Fique na sua perturbação
Desacreditei...
A máquina registra
fotografias e
sonhos de uma noite.
A disritmia constante
dos meus desejos
Trêmulos, viciados
que só tendem a trazer
sede...
de volta...
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30.11.07 @23:54

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11.11.07 @12:15
Conheci o indivíduo autor desta poesia sensacional em 2005, na Bienal de Arte e Cultura da UNE em Sampa...
Já havia postado a mesma no blog com roupagem antiga. Agora, mexendo nos meus "entulhos poéticos" a redescobri e, cada vez que a leio, a percebo mais e mais atual.
Um beijo
Cátia Andressa da Silva
Igreja das Viridianas Descalças ou Sesta dos Esquecidos
Iezu Kaeru
Madruga[d]a fome mendiga em mim a mesma dor
Sombrio o dia, rasgadas as vestes e as retinas
O Sol alara as misérias – estalatilinta –
Meio dia em meio o peito há dias
Nada dorme na algazarra dos vícios
Corpos retorcidos pelo abandono, restos de vida nas esquinas
Ao redor da praça as crianças brincam com os rinocerontes
Gole a gole a esperança misturada com cachaça
Escorre pela garganta do destino, que é um vão,
Um vale, um obscuro e implacável irmão.
A princesa negra dos iludidos
Goela abaixo amargas penas fantasias
Fazendo um ranço na língua dos homens
Lágrimas mudas, secas, uma cidade inteira com seus becos e praças, suas
cirandas e verdades cerradas nos olhos da índia cega que a-c-a-l-e-n-t-a
em seus braços sua borboletinha de barro, suspende o choro e o instante
Não há paz sem pão, mesmo aos que comem luz.
Como um pobre diabo bêbado envergado sobre seu próprio desencanto
Ressuscita a poesia mesma, nova e nua de cada dia
Minha e tua, isenta amiga que vagueias comigo por esta infinda noite
Dia após dia. É sempre a vida. Suposto é o mar.
Negra verdade feita carne em sangue e sono esculpida
Galho torto nos jardins do rei. Segue o tempo e o sonho em pêndulo.
Flutuo sobre o horrível abismo onde se engalfinham as almas renegadas
Ah, a integridade dos engraxates do centro!
Maravilhas velhas filhas minhas, poemas,
Quantas vidas, Meu Deus, Quanta vida!
Imensa begônia brotada da pedra, Viridianas desvairadas Severinas.
Embaraçados sonhos torpes, inebriado de lume tropeço no entardecer
Cânticos dormentes formigam em meu devaneio – qual a sensação que se tem
Quando se dorme sobre o membro – meu coração esmolamigalhas e bênçãos
enquanto os estúpidos empilham desditas.
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5.11.07 @00:41
EU VOU REPETIR, CASO VOCÊ NÃO TENHA ENTENDIDO NO POST DO DIA 08/10/2007:
EU TENHO SABOR DE GENGIBRE!
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21.10.07 @11:17
TRANSIÇÃO
É um novo momento, transitório... assimilando novos conceitos e me despindo de velhos preconceitos. Mudanças de paradigmas em relação à vida, à profissão, ao que se entende por amor... novas propostas de trabalho, novos interesses e horizontes profissionais. Novo corte de cabelo, duas tatuagens emblemáticas, término de um namoro "bomba" e frustrante de 45 dias, descoberta de novos velhos amigos especiais (novos por intimidade, velhos por serem colegas de colégio primário), (re)descoberta de momentos simples e muito prazerosos, novos pilequinhos saudáveis (risos). Tô na pista, mas fique claro que: Não tô pra negócio.
Feliz!!!
Cátia
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11.10.07 @00:52
gente, adotei um pet virtual... já que na minha casa não há mais espaço físico para meus amiguinhos, aqui eles sempre são bem vindos... adotem também!!!
O que acharam do nome que escolhi para meu pingüim?
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8.10.07 @12:51
Dizem que esta é nossa última canção. Mas só será nossa última canção, se deixarmos que seja
Do filme "Dançando no Escuro"
Hoje são dois posts, de temas diferentes...
O primeiro é uma homenagem ao meu Comandante Guevara. São 40 anos sem sua presença física, mas com seu sonho de AMÉRICA LATINA LIVRE vivo. Tentam derrubar sua força, sua simbologia... seja através da apropriação pop que fazem de você, seja nas tendenciosas blasfêmias de quem, burramente, cegamente, desconhece a História.
O segundo é um desabafo. Depois de ler, tire suas próprias conclusões...
Abraço
Catita Sempre Poetando
Podem nos prender, podem nos bater, podem até nos matar. Mas um dia voltaremos, e seremos milhões
Honestino Guimarães
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Desabafo contra Hipócritas (ou Invocação dos Pirados)
por
Cátia Andressa da Silva
Odeio pessoas boazinhas! Odeio pessoas muito educadas! Odeio pessoas de boa família! Odeio seres cordiais!
Parece agressivo demais pra você este início de texto? Mas não o é.
Já reparou que as pessoas mais mansas, educadas e gentis são também as mais hipócritas? Com raríssimas exceções (minhas duas cunhadas), elas sempre acabam por te ferir forte, de forma mais violenta que o tão afamado Capitão Nascimento (Tropa de Elite), porque é a violência velada, simbólica, psicológica.
Há algum tempo venho discutindo em casa e com alguns amigos mais íntimos sobre a “chatice” dos mocinhos e mocinhas de novela, esses seres que suportam todo tipo de percalço em nome das nobres causas do bem comum e do amor. E para isso, tornam-se caricaturas, engodos. Assim também é na “vida real”.
Aquele seu “manso” companheiro de trabalho que, com sua falta de compreensão e respeito, coloca todo um projeto político a perder. Ele merece ser punido. E bem odiado!
Tem aquela “fofa” que sempre está por perto, cercando as rodas de conversa. Bam! Estoura a bomba. Sabe quem detonou? Ela. E daí dá-lhe explicações para consertar os estragos causados por suas fofoquinhas diárias, carregadas de veneno. Forca para ela. E muito ódio!
A “sujeita solícita”, que concorda com você em tudo, que sempre acha que a sua idéia é muito boa, ela é cobra. Descaradamente ela espera o momento do bote e se apropria do seu projeto. Ela é “nojenta”. Ela vai ser processada. Ela é muito odiada!
Tem a pessoa que viaja com você como “o melhor amigo de infância”, uma vez que são os únicos conhecidos no grupo. Chegando ao destino, subitamente ela tem “outro melhor amigo de infância”, porque ele ali tem mais a lhe oferecer. Interesseiros, promíscuos. Esses merecem que amputem suas duas mãos. E que lhe odeiem!
Tem o sujeito cordial, educado, rico, que é incapaz de te xingar, mesmo que você o provoque intensamente. É o sujeito que lhe elogia, que diz que “de cara” simpatizou com você, que se mostra um belo amigo instantâneo. E você nutre admiração, aprendendo a respeitar suas diferenças e a chamar de amigo. De repente, você não encontra mais no msn, você recebe respostas educadíssimas aos seus e-mails e recados. Educadíssimas e gélidas. Esse é o sujeito “covarde”. E aos covardes dedico prisão temporária. Nesse caso, sem ódio também, porque esses são capazes de se transformar.
São casos e mais casos que, dia-a-dia, vêm tentando lhe plantar certa amargura, rancor e ódio na alma. Mas não conseguem. Sabe porquê?
Porque existem muito mais loucos, vilões, sinceros, brigões... por quem vale a pena nutrir os belos sentimentos humanos. E é por isso também que os ‘Olavos’, as ‘Bebeis’, as ‘Roitmans’, as ‘Lauras’, os ‘Renatos’, as ‘Admas’, adoráveis antagonistas da ficção, tornam-se tão atraentes também na “vida real”.
Deixo aqui um Viva! aos sujeitos corajosos, que não se escondem, que brigam... enfim, aos que vivem, aos pirados.
Mordam-se! Descubram o próprio sabor!
O meu é de gengibre...
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2.10.07 @14:51
Fui desafiada!!!
Meu querido e psicodélico
Alessandro de Paula me fez uma de suas desafiadas. Como mexeu com quem estava quieta e não costuma recusar nenhuma espécie de desafio, eis:
“Para Freud, o triângulo familiar pai-mãe-filho era imutável.”
NYE, Andrea.
Teoria Feminista e as Filosofias do Homem. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos, 1995.
Não entendeu nada? Preste atenção:
Continuando o desafio:
1) Pegue o livro mais
próximo (não é o melhor, o preferido e o bla bla bla);
2) Abra na página
161;
3) Procure a
5ª frase completa;
4) Poste a frase
no seu blog;
5) Repasse o desafio para
5 blogs.
E os meus desafiados são:
Amon Costa
Cris Ely
Jamill
Kiki Kipper
Leandra Leal
Estou só esperando por suas reações... e o retorno aqui nos
coments
Besitos
Cátia Andressa da Silva
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30.9.07 @14:12
O Orkut tem dessas surpresas...
Você está lá, com seu "profile", com sua "conta" do orkut há mais de três anos...
Algumas vezes tem vontade de sair deste mundo de espetáculo virtual e passar a viver apenas o que é material, o que você pode tocar.
Mas eis que algumas coisas te surpreendem.
Aquele amigo "virtual", com quem você talvez nunca tenha trocado um "scrap" sequer aparece na sua lista de aniversariantes do mês e você vai fuçar o espaço dele.
No álbum de fotografias você encontra momentos únicos, que são só dele, e resolve se apropriar dos mesmos (com o devido consentimento, é claro).
Assim, apresento três belas fotos e suas legendas do álbum do moço que, como eu, entra em transe com Lirinha... e que atende pela alcunha de:
Israel Segundo de França Cordeiro
Sabe na consciência, uma resposta, mas que a distância ainda separa de minha lucidez arredia, na doce ilusão do pensamento, então encontro em...
um trago, no mais doce e invejável néctar, contorcendo o movimento contínuo, das minhas intenções perdidas...
sem tanto desespero, munido de minha mente, encontro você ali.
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20.9.07 @12:59
Allegra chega aqui mais uma vez para compartilhar suas
"pseudoangústias" e seus devaneios sem noção...
Cátia Andressa da Silva
Cena III (ALLEGRA fica parada no centro do palco, como que hipnotizada por algo no fundo do teatro, a parede se torna
preta, e apenas uma luz azul a ilumina)
ALLEGRA Outros momentos na vida do ser humano, das mulheres e das coisas são misteriosos...
As questões ligadas ao espírito são misteriosas, inexplicáveis. A fé é algo absolutamente inexplicável, algo que distrai, que conforta,
que consola, mas ao mesmo tempo dá lugar, no homem, àquilo que a ciência não explica, os religiosos tampouco... A fé é um dos
mistérios da humanidade, aqueles que não se explica, simplesmente sente-se.
Mas têm tantos mistérios envolvendo o homem quanto há grãos de areia no deserto ou gotas de água no mar (isso foi horrível!).
Quem matou Odete Roitman? Isso é mistério... Não! Isso não é mistério, isso foi aquela novela maravilhosa, a melhor de todos
os tempos, mas... e o que tem isso agora? Você está falando de outra coisa, sua imbecil...
O mistério também ronda o seu passado, quer dizer, o daquela professora velha e rancorosa de português que você teve na
6ª série, nunca ninguém conseguiu desvendar, descobrir a causa do seu mau-humor. Era uma velha insuportável, aliás, ainda é...
A velha naquela época ainda é viva e VELHA, 20 anos depois.
E os velhos mistérios da história, quando realmente surgiu a vida? Quem eram os assassinos de grande políticos e artistas? Ah, isso
não é história, é fofoca do showbiss. Ah, como seria bom poder decifrar 1/3 desses mistérios.
E porque as pessoas misteriosas sempre são mais sedutoras? Sempre nos atraem mais?
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1.9.07 @14:20
Belo
Cátia Andressa da Silva
Definir conceitos?
Não!
Quem decide o que é correto?
Quem decide o que é belo?
Hipócrita, controle,
exercido sobre a mente
dos fracos e pobres.
Fugidio controle,
sem argumentos explicações
Imposto!
Beleza simplória
de uma alma cor de azeviche (essa foi pra Elisa Lucinda)
Definida, conceituada
por uma porra chamada beleza.
Ditadura do tradicional
Fugir do convencional?
Nem pensar! É crime!
Ah! Ah! Ah!
Quem é este homem
esta indigna alma humana
que decide quem sou?
Viver quem quero
com minhas minigâncias,
meus tesouros.
Quem quer saber de conceitos?
Quem quer saber como definir?
Quem quer saber do belo?
Quem busca?
O quê...
Ah, o belo sou eu!!!
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25.8.07 @15:53
fazer 30 anos deve ser mesmo uma coisa louca... o ulisses "completou" essa data na quarta-feira, dia 22, e no seu
orkut ele postou um belíssimo texto fazendo uma espécie de memorial, ou reflexão acerca da data... um texto emocionante, que compartilho aqui...
o ulisses é esse garotinho da foto aí embaixo, que também "roubei" do seu orkut:
22 de Agosto
Ulisses Costa
HÁ 30 ANOS: depois de uma gravidez de quase dez meses, nasci com uma parada cardíaca. Meu pai estava muito doente - e ainda assim viveu para desenhar em mim marcas que nunca vão morrer. Ainda bem.
Nascer assim pode significar duas coisas: ou eu já vim ao mundo querendo chamar a atenção ou pronto para levar porrada da vida. Prefiro a primeira. Mas aprendi a lutar.
HÁ 25 ANOS: era costume em Montenegro àquela época fazer a festa de aniversário na escola. Estava bem feliz: meu pai vestia uma jaqueta que eu herdaria mais tarde e tinha aquelas garrafinhas de guaraná de 250 ml.
Lembro pouco disso. Lembro mesmo do que ocorreria seis meses depois:aquele olhar calmo que ele me dirigiu ao sair do quarto numa maca para não voltar - e aquele peso surdo de entender tudo o que acontecia. E aprendi a ser só.
HÁ 20 ANOS: era a última festa que a minha mãe faria na escola (que já era outra, claro). Estava tão feliz - coisa rara - que me escalei para pegar algumas balas de uma colega (Beatriz, se não me engano). Ela, brava, disse que deixava por ser meu aniversário. Aprendi que, das pessoas, eu não precisava ter tanto medo.
HÁ 15 ANOS: não fui à aula, para não ser alvo de ovos e farinha. Mas meus amigos nerds e excluídos foram na minha casa, jogar vôlei. Nunca joguei bem (só sei sacar "por baixo"). Mas rimos muito e eu aprendi a me divertir imensamente com o que eu tenho à mão.
HÁ 10 ANOS: que ano fantástico! Minha amiga e um dos meus futuros amores me levou para dar uma volta de carro. Ela me entregou uma carta imensa, várias páginas, me descrevendo. Descobri que as pessoas me tinham por mistério. Logo eu, tão simples.
HÁ 5 ANOS: levando porrada da vida há dois anos seguidos e tentando ficar em pé no ringue, tinha meus sonhos em coma profundo em mim. Era repórter policial! Como assim? Nem eu sei.
Meus colegas encheram meu computador de balões, me felicitando depois da hora do almoço. A mulher que dividiu comigo tantos momentos sombrios (que nenhum de nós merecia) tinha saído de NH para me ver. E aprendi que eu podia ressurgir do inferno.
HÁ 1 ANO: estava abençoado com sonhos revividos. Ah, a doçura da dificuldade certa, aquela pela qual sonhamos a nossa vida inteira... Dali a dois meses, "O Gritador" estaria pronto. Resolvi ficar sozinho e não comemorar. Em homenagem aos novos tempos, que chegaram com força. Ao tempo perdido no escuro. Aprendi que estava vivo, ainda que em silêncio.
HÁ SEIS MESES: tão perto, tão distante... Eu pensava nela, o meu novo amor, no quanto só ela saberia me fazer bem. Descobri que o amor era algo maior que eu pensava.
HÁ UMA SEMANA: meus alunos, geniais, resolveram fazer que eu era um famoso qualquer enquanto estávamos no Festival de Gramado. "O Gritador" não foi selecionado e a brincadeira serviu para me deixar feliz. Aprendi com quem eu devia ensinar que o mundo sabe ser irônico - a nosso favor...
ONTEM: resolvi fazer algo novo: vim caminhando da Feitoria até o centro de São Léo. No caminho, pensando sempre as mesmas coisas de sempre - os sonhos. E descobri que tem coisas que não mudam nunca.
E eu que achava estar pronto pra vida... Desde ontem!
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18.8.07 @00:26
O artigo abaixo, do meu amigo Danilo Moreira, trata do tema que é minha causa de vida. É o assunto que pesquiso, é onde milito e é, de fato, a minha bandeira.
É de suma importância o Brasil vestir esta camiseta, a da
JUVENTUDE
Beijão
Cátia Andressa da Silva
Em artigo inédito, o Secretário-Adjunto Nacional de Juventude e Vice-Presidente do Conselho Nacional de Juventude, Danilo Moreira, fala sobre os preparativos da Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude e sobre a relevância desta para a juventude brasileira.
LEVANTE SUA BANDEIRA
Por
Danilo Moreira*
Inicia-se no final do próximo mês de setembro e conclui-se em março de 2008 a 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude, promovida pelo Governo Federal. Serão seis meses de intensos debates sobre a realidade da juventude e as ações do poder público, voltadas para os mais de 50 milhões de brasileiros e brasileiras entre 15 e 29 anos. Esperamos chegar ao final deste processo participativo com a definitiva afirmação do tema juventude na pauta das políticas públicas o que, por si só, não seria um objetivo modesto.
Houve um tempo em que juventude era apenas sinônimo de futuro como se esta fosse um eterno porvir. Da mesma maneira eram tratadas as políticas públicas direcionadas para este segmento. Talvez por isso, é que chegamos ao início do século XXI, com preocupantes indicadores sociais relacionados a emprego, escolaridade e segurança pública, dentre outros. Tal situação, também é reflexo de anos seguidos em que o ritmo da economia vinha sempre acompanhado de palavras como recessão e estagnação.
Diante disto e desde já, levantamos algumas questões para os debates que se avizinham. Até que ponto o que chamamos de “problemas da juventude” não seriam, de fato, a negação de direitos básicos à educação de qualidade, ao trabalho decente, à cultura, ao esporte e ao lazer? Será que determinados comportamentos “violentos” não estariam associados a falsas expectativas criadas por uma sociedade de consumo onde o ter é mais importante que o ser? Será que a situação em que ainda se encontra parcela da juventude brasileira pode servir para generalização da imagem de dezenas de milhões? Será que reconhecemos a capacidade de sonhar e lutar por uma nova realidade, reiteradamente demonstrada por esta mesma juventude?
Essa Conferência não surge do acaso. É resultado de uma caminhada iniciada ainda no primeiro mandato do presidente Lula, quando se somaram diversas vozes dos movimentos juvenis, da sociedade civil e das forças políticas que partilhavam do sonho de um Brasil decente, sob a liderança de um presidente operário. Um Brasil que superasse uma visão da juventude-problema e que reconhecesse esta parcela da população como sujeito de direitos e agente de mudanças.
Neste ambiente é que vimos emergir inúmeras iniciativas como diálogos e fóruns promovidos pelos movimentos juvenis, frentes parlamentares de políticas de juventude, elaboração de estudos e pesquisas divulgados pela sociedade civil e organismos internacionais e, finalmente, a criação, em fevereiro de 2005, da Secretaria Nacional e do Conselho Nacional de Juventude, ambos ligados à Secretaria Geral da Presidência da República. Esta primeira com o objetivo de coordenar e articular as iniciativas do Governo Federal para este segmento e o Conjuve, composto majoritariamente pela sociedade civil, com a missão do formular, propor e acompanhar. Estava dado o primeiro passo.
Chegamos em 2007, após a expressão da vontade das urnas, com o compromisso renovado e o desafio redobrado. Agora, não nos basta ter superado governos anteriores também na área da juventude, precisamos nos superar. Não por uma questão de vaidade, mas por uma necessidade. Ampliar o acesso à educação de qualidade, promover a inserção da juventude no mercado de trabalho, democratizar o acesso à cultura, esporte e lazer, respeitando as particularidades da juventude são - e serão - desafios não apenas de um governo, mas de toda sociedade e, porque não dizer, de uma geração política.
Neste segundo mandato já tiramos do papel o FUNDEB, que significa um aporte de mais de 4,5 bilhões na educação básica, incluindo aí os ensinos infantil e médio. Lançamos o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE. Com o PDE, os sistemas públicos de ensino em todos os níveis terão mais recursos da União, mas também estarão comprometidos com metas de qualidade. Além disso, a meta estabelecida no PDE é 150 novas escolas técnicas e dobrar o número de vagas nas universidades públicas em dez anos.
Outra marca da Política Nacional de Juventude é a da inclusão social – atribuída a este governo até por seus críticos. Hoje, programas específicos de inclusão do Governo Federal alcançam cerca de 800 mil jovens. Um Grupo de Trabalho coordenado pela Secretaria Nacional de Juventude apresentou, e o Presidente da República aprovou, um redimensionamento de alguns desses programas que proporcionará maior integração e um aumento de escala, elevando para 4,5 milhões, até 2010, o número de jovens participantes nos programas de inclusão.
Ao lado destas e de outras iniciativas, devemos assegurar o direito à participação. Indispensável ao fortalecimento de uma democracia com o povo, à qualidade das políticas públicas e tão caro à juventude brasileira. E isso é o que pretendemos com a realização da 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude. Esperamos que esta se torne um poderoso processo participativo que aponte prioridades para ação do poder público em todos os níveis, que propicie uma maior articulação dos movimentos juvenis e da sociedade civil, que fortaleça a institucionalização das políticas de juventude nos estados e municípios e, acima de tudo, inclua definitivamente a juventude em nossa estratégia de desenvolvimento nacional.
Realizaremos um processo inovador de mobilização. Em consonância com o tamanho, a complexidade e diversidade do nosso país. As etapas da Conferência poderão ocorrer nos grupos juvenis, nas escolas e universidades, na internet, nos municípios e estados. Esperamos que sejam momentos intensos de encontros e debates sobre os mais variados temas: da educação ao meio-ambiente, do trabalho ao esporte, da saúde aos direitos humanos, da cultura à sexualidade, do presente ao futuro do país. Levante sua bandeira.
*Danilo Moreira é Secretário-Adjunto da Secretaria Nacional de Juventude, Vice-Presidente do Conselho Nacional de Juventude - Conjuve e Coordenador Geral 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude.
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22.7.07 @13:10
E eu fico...
Cátia Andressa da Silva
E eu fico imaginando como são as coisas
Do outro lado da vida
Será que lá também há poesia?
E eu fico...
Sem saber como elas acontecem
Como elas se organizam
Será que há noção de tempo e espaço
Do lado de lá?
Acho que não
As coisas do outro lado da vida
São etéreas, são permanentes
O que aqui não existe
Lá é imutável, é inerte
Mas mesmo assim é bonito
É apaziguador...
Paz e alma
Símbolos de uma cumplicidade
Símbolos de uma nostalgia
Das coisas do outro lado
Desta vida
Do outro lado.
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15.7.07 @12:25
Frida Kahlo. O vestido está pendurado ali, e nós também.
Entrevista especial com Cláudio Carvalhaes
"Penso a idéia de um vestido uma metáfora fascinante, teologicamente falando. Imaginar Deus no vestido de Frida é imaginar Deus na fronteira de todas as coisas, nas situações limítrofes, no des/re/fazimento de Deus e de nós mesmos. O vestido dela nos ajudaria a pensar melhor um Deus encarnado, que vive na história e se veste como mulher, ou que nem os pobres", afirma o teólogo Cláudio Carvalhaes, analisando o quadro Meu vestido está pendurado ali, de Frida Kahlo. Ele enfatiza: "Todos nós vivemos entre fronteiras, todas elas construídas para nós e também por nós. O que somos, não somos, ou ainda haveremos de ser, estará sempre dependurado em situações limítrofes em que as ambigüidades estarão sempre presentes". A entrevista foi concedida por Carvalhaes via e-mail, quando de sua estadia no Brasil, respondendo às questões elaboradas pela IHU On-Line sobre seu artigo "O meu vestido está ali pendurado, e nós também", um dos treze textos que comporão a coletânea sobre Frida Kahlo, em fase de organização pela Prof.ª Dr.ª Edla Eggert .
Carvalhaes é graduado em Teologia pelo Seminário Teológico Independente Presbiteriano e especialista em Estudos em Ecumenismo no Instituto Ecumênico de Bossey, em Genebra, Suíça. Cursou mestrado em Teologia e História pela Universidade Metodista de São Paulo e doutorado em Filosofia pela Union Theological Seminary, em Nova Iorque, escola afiliada à Universidade Columbia. Leciona no Louisville Presbyterian Theological Seminary, em Kentucky, Estados Unidos. Escreveu a obra Religião, performance e arte (Emblema Ideas: São Paulo, 2005). Para maiores informações, consulte o site www.claudiocarvalhaes.com
IHU On-Line - Por que o quadro de Frida Kahlo "Meu vestido está pendurado ali" não recebeu a mesma atenção que suas outras obras?
Cláudio Carvalhaes - Não sei exatamente. Talvez porque esse quadro não tenha a figura dela, que sempre foi tão marcante em sua obra. Entretanto, acho que pode ter sido o fato de que este quadro tem como referência um "vestido", o que nunca atraiu muito a crítica, até tempos atrás massivamente masculina. O que esses homens vão fazer com um vestido? Tanto é que, das análises desse quadro que eu pesquisei, a maioria foi feita por mulheres.
IHU On-Line - Como e por que as revistas americanas Elle e Vogue transformaram o estilo de Kahlo, apagando seu significado político e convertendo-o num objeto a ser consumido? O que esse paradoxo revela sobre a interpretação contemporânea da padronização a que as mulheres se submetem?
Cláudio Carvalhaes - Essa é uma pergunta difícil. A obra de Frida nunca teve tanto valor comercial. Foi somente nos final dos anos 1980 e começo dos 1990 que seus quadros tornaram-se mais famosos a ponto da Sothebys, de Nova York, vender um deles por mais de 1 milhão de dólares. Houve todo um processo de massificação de sua obra o que resultou num filme que ganhou dois Oscars (" Frida" de Julie Taymor). Vogue e Elle foram pontos de passagem nesse processo. Não quero comentar o filme, mas para que as revistas pudessem vender Frida, elas tiveram que glamourizá-la e transformá-la em objeto de consumo a ponto de torná-la palatável e consumível para os padrões norte-americanos. Mas essa coisa de tentar "americanizar" Frida (que era americana do México) já era coisa antiga. Quando Frida ainda era viva, já havia uma tentativa das mulheres nos Estados Unidos de imitar o seu estilo de se vestir. Seus vestidos, seus ornamentos, seu cabelo, tudo era maravilhoso e impressionante. Em meio a essas tentativas, Frida mesmo vai dizer como era ridículo ver essas mulheres tentando imitá-la. Vogue e Elle vão então tentar padronizá-la a partir da necessária despolitização da sua vida e obra. Com certeza, as leitoras dessas revistas não se interessariam pelas posições marxistas/stalinistas de Frida e pelo seu compromisso com a cultura pré-colombiana. Assim, para que Frida se tornasse consumível, ela virou moda. Modelos magérrimas com vestidos sensuais e cabelos trabalhados, colocadas em interiores de casas interioranas rústicas e bonitas em meio a flores naturais faziam a personificação de uma Frida que nunca existiu. Toda a crítica e a luta política e existencial da pintora foram temporizadas pela leitura simplista de uma mulher que lutava pelo seu amor com Diego Rivera. Além disso, seu romance com Trostky não cairia bem para as donas de casa norte-americanas.
Você está certa quando diz que esse processo fez parte de uma certa forma de padronização da visão de mundo das mulheres norte-americanas. O viés apolítico dessa leitura de Frida nunca levou em conta seu compromisso com as mudanças políticas e sociais de seu país, sua crítica aos Estados Unidos, sua ligação com o pensamento comunista, seu vínculo com comunidades de mulheres mais pobres, com a recuperação das culturas pré-colombianas e mesmo com os problemas existenciais tão fortemente marcados nos quadros de Frida.
Os vestidos de Frida nunca foram vistos como referências sócio-político-culturais, mas sim como opções de estilo, de moda. O paradoxo se mostra claro nas escolhas interpretativas da obra de Frida. O que essas revistas fizeram foi não somente contemporizar, mas negar o difícil, o doído, o complicado, o ruim de ver, o incompreensível de Frida. O desanuviamento das dificuldades do trabalho de Frida deu lugar a uma simplificação padronizadora não só de sua obra, mas também das mulheres que leram sobre Frida e da "moda" que ela (nunca) lançou.
IHU On-Line - Essa interpretação redutora foi feita a partir da afirmação de Breton? Por quê?
Cláudio Carvalhaes – Não, essa interpretação não foi feita a partir de Breton. O que eu quis dizer no artigo é que a interpretação redutora de Frida em solos norte-americanos era como se ela fosse somente a fita que envolve uma bomba, sem a força simbólica da "bomba". Em outras palavras, era como se a obra de Frida tivesse "somente" beleza, e não força desestruturadora, de bomba mesmo. Pois imagine se uma mulher, artista e stalinista, seria interpretada como tal em solos americanos. Jamais! Então, "sim" à Frida feita de fita decorativa, ou seja, aos seus vestidos descomprometidos, seus ornamentos sem vínculos, seu cabelo preso. E "não" à "Frida bomba", ou seja, às estruturas desestabilizadoras da política e da vida que sua obra traziam. Nesse sentido, a definição de Breton pode ser muito interessante na análise da obra dessa artista.
IHU On-Line - Poderia explicar como a questão das fronteiras entre México e EUA e a formação de uma identidade nacional mexicana constituem preocupações de Frida?
Cláudio Carvalhaes – A fronteira entre o México e os Estados Unidos sempre foi um assunto visceral para os dois países. Não podemos nos esquecer que os Estados Unidos "roubaram" muitas terras que eram do México, ampliando, assim, suas próprias fronteiras. Frida percebia a tensão da proximidade entre os dois países e via na fronteira uma situação concreta se desenhando e influenciando em muito a vida e a identidade mexicanas. Como já falei acima, o que está em jogo nos quadros que ela estabelece a relação fronteiriça entre os dois países é a descrição dessa relação e talvez uma pergunta acerca de quem é e o que está ali. Muito embora sua visão estabeleça uma relação binária, excludente até, as fronteiras que Frida pinta são móveis, inter-relacionadas, complicadíssimas, e abertas não ao mero acaso das coisas, mas a um futuro em que a luta política deveria direcionar. Em dois de seus quadros, a fronteira é ela mesma, uma vez em um vestido cor de rosa e no quadro sobre o qual eu escrevo, somente um vestido dela pendurado entre esses dois países. Isso mostra, ao meu ver, a presença híbrida dela, feita da mistura de ambos os países, sem negação absoluta de um e/ou afirmação de outro, mas de uma composição de elementos que se forma e se alteram. Contudo, é preciso dizer que suas fidelidades, seu amor e seus compromissos estavam todos ligados ao México, sua história e seu povo. Para Frida, é nessas fronteiras que a identidade mexicana estava imbricada e precisava ser definida e desenvolvida.
IHU On-Line - Como o "vestido pendurado" de Frida ajuda a ressignificar a questão das fronteiras e criar ambigüidades, ambivalências, e a borrar os limites?
Cláudio Carvalhaes - O vestido pendurado é uma figura maravilhosa para complicar as questões das fronteiras. Seu vestido continua pendurado ali, lembrando-nos que nós mesmos, e aquilo que carregamos no corpo, está sempre em jogo, em constantes re-definições. Nesse quadro, o vestido dela não traz o corpo dela. Este está ali só, pendurado por uma fita frágil entre dois símbolos fortes, uma privada do lado do México e um troféu de esportes no lado dos Estados Unidos. Há tanta coisa para se ver somente aí, nessa "penduração" do vestido. O que seu vestido estará fazendo ali sem ela em meio a um turbilhão de coisas? Seria absurdo dizer dos corpos invisíveis dos pobres pendurados ali no meio de tudo isso? Ou da estultícia, força, e mesmo da sensação de enjôo e tonteira diante de tantas coisas inter-relacionadas e interconectadas no quadro que mal conseguimos captar? A vida é tudo e tudo junto, é um mundo acontecendo entre os fios de telefone, as passeatas populares, os jogos esportivos, as colagens de eventos, a tensão constante entre o novo e o não novo, em meio à "força da grana que ergue e destrói coisas belas", e nossas identidades estão dependuradas em meio a esse "rodemunho" de coisas todas. Todos nós vivemos entre fronteiras, todas elas construídas para nós e também por nós. O que somos, não somos, ou ainda haveremos de ser, estará sempre dependurado em situações limítrofes, em que as ambigüidades estarão sempre presentes. Pois temos que nos lembrar que não há limites puros, claros, purificados em nenhuma identidade fixa, seja ela, sexual, política, cultural, social, ou mesmo econômica. Estamos todos borrados, tortos, em processo de des/re/fazimento.
IHU On-Line - Por que você afirma que seus vestidos atravessam fronteiras políticas, religiosas, culturais e sexuais?
Cláudio Carvalhaes - Pelo que disse acima. Acredito que não há como ver os vestidos de Frida como dizendo uma coisa só acerca de um assunto único. Seus vestidos pertencem a uma mulher híbrida, que carrega em seus vestidos referencias sexuais, talvez não tão claros, culturas distintas de comunidades pré-colombianas misturadas, de religiosidades sincréticas entre essas culturas e o catolicismo europeu, de posições políticas que vão contra a corrente de pensamento político dos Estados Unidos.
IHU On-Line - O que essa autenticidade transgressora de Kahlo pode inspirar as mulheres e os grupos oprimidos na busca de liberdade e autonomia?
Cláudio Carvalhaes - De diversos modos. Começando pela roupa, por exemplo. Há nos vestidos de Frida um elemento de manutenção de valores que vai para além do turístico e do exótico, para se encaixar dentro das resistências políticas. Isso acontece em todo lugar. Pegue nossas festas populares aqui no Brasil: as roupas trazem muita informação da história, de lutas, experiências e resistências. Veja-se a " Irmandade da Boa Morte" em Cachoeira, na Bahia, por exemplo. Os vestidos das mulheres negras trazem uma longa história de luta e resistência política, religiosa e cultural contra a escravidão. Trata-se de uma coisa linda. Os vestidos delas trazem a história do nosso país, da luta pela vida, o samba de roda, a nossa identidade sendo negociada, mantida e refeita. Frida transgrediu quando resolveu desenhar o torto, o esquisito, a dor, com formas e cores fortes demais, coisas que foram, de algum modo, negadas no mundo das "belas artes".
Frida pode ajudar demais na luta das mulheres. As mulheres sempre tiveram suas estórias e seu lugar negados. O que as mulheres têm hoje, em nossa sociedade, é fruto de longa e cruenta luta histórica. Como disse Simone de Beauvoir, "você não nasce mulher, torna-se mulher". Frida refletiu sobre o mundo feminino a partir de uma ampla perspectiva, com seus vestidos e ponto de partida entre as mulheres e as comunidades oprimidas de seu país. Acho que seus temas, compromissos e luta podem nos ajudar a buscar caminhos e trazer à cena tudo aquilo que historicamente nós escolhemos não ver, como os negros, as mulheres e os pobres em geral.
IHU On-Line - Poderia dar mais elementos sobre sua afirmação contida no artigo de que Frida Kahlo nos proporciona uma poderosa ferramenta teológica: um vestido, uma localização – ali?
Cláudio Carvalhaes – A Teologia é feita, entre outras coisas, de metáforas. Ninguém pode falar de Deus com absoluta certeza ou total convicção. Fazemos de conta que acreditamos em tudo que dizemos acreditar e essas certezas são importantes. Contudo, podemos somente falar de Deus pelas beiradas, por viés, pelas encostas do que imaginamos, esperamos e buscamos em relação com os discursos religiosos feitos na história. No entanto, penso a idéia de um vestido como uma metáfora fascinante, teologicamente falando. Imaginar Deus no vestido de Frida é imaginá-lo na fronteira de todas as coisas, nas situações limítrofes, no des/re/fazimento dEle mesmo e de nós mesmos. O vestido dela nos ajudaria a pensar melhor um Deus encarnado, que vive na história e se veste como mulher, ou como os pobres. Além do mais, a localização do vestido no quadro de Frida é fundamental, porque o "ali" do quadro dela, que ela mesma nomeia "meu vestido está pendurado ali", não está num lugar próprio nem é definível. O "ali" está na junção de várias intersecções, confundindo nossos mapas e sentidos de direção. É como o que os Cristãos chamam do Espírito, que é o movimento de Deus que não pára quieto em lugar nenhum: Ele vem daqui, vai pra lá e nos reconduz ao lugar onde precisamos atender e estar. O ali é onde é preciso estar e cada comunidade deve estar atento ao vento para saber de que ponto as franjas do vestido nosso/de Deus estão nos chamando. E, por fim, o fato de estar dependurado é crítico para nossos compromissos políticos, sociais e teológicos. Quem está pendurado hoje no mundo são os pobres, um contingente de pessoas que não têm chão pra pisar. Cerca de uns três anos atrás, em Nova York, havia um grupo de teatro que encenou uma peça na qual os atores nunca pisavam no chão, numa situação aflitíssima de constante mobilização. Pois acredito que assim estão nossos meninos e meninas brasileiros que vagam pelas ruas sujas de nossas cidades. Vagam pelo mundo, de farol em farol, em meio à exploração sexual e física e total abandono. Aqui no Pelourinho as crianças não pedem mais dinheiro; eles pedem comida. Ontem mesmo, umas 15 crianças me pediram algo pra comer dizendo: "Tio, não estou pedindo dinheiro não; vá ali e compre um pão ou uma quentinha pra mim...". Quando ouço isso, me sinto dependurado, com meus sentimentos todos esgarçados, no "rodemundo" de um mundo que não consigo entender. Eu que tenho tudo pra me fincar sólido no chão da vida. O vestido de Frida me lembra que, assim como Jesus ficou pendurado "lá" naquela cruz, nossas crianças estão penduradas no brejo da cruz também e aí, ou melhor, "ali", onde eles estão, o vestido, o Espírito e a religião podem fazer algum sentido.
IHU OnLine, 09/07/2007
http://www.ihu.unisinos.br
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9.7.07 @00:20
ivete sangalo disse que não participaria do live earth por ser organizado pelos norte-americanos, os mais poluidores do planeta.
engraçado... fazer apologia ao álcool, sabendo que é a maior causa de morte de jovens no trânsito pode?
que parece?
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1.7.07 @14:27
o belo texto abaixo foi encontrado no blog de um belo amigo... sensível, forte, desafiador, triste... nem sei como descrever os sentimentos a que fui remetida com a leitura deste...
espero que ao passante pelo circo ele seja agradável e provocadora leitura, como foi para mim.
um beijo
cátia
p.s. para ler mais dos excepcionais textos do jamill: http://www.jamill.blogspot.com
divirtam-se
Aparentemente Nada
Jamill
Ainda em estado de choque, você simplesmente percebe que de nada vale ser fruto do capitalismo com riqueza hereditária, seus diplomas, viagens, cultura e vida social. É nesse instante que você pode não enxergar o futuro. Pode até esperar... na verdade, ninguém sabe como encontrar uma forma expressiva de algum afeto. Antes de pegar o avião, você pode simplesmente passar numa floricultura e encomendar várias flores, enviá-las para alguém que verdadeiramente te fez um bem nesta vida - uma professora, por exemplo. Assim como você guarda as boas pessoas, você tem todo o direito de apagar as ruins. Selecionar... Na verdade, o tempo apaga tudo e o passado nem vale nada, porque já passou mesmo. As flores só agradeceriam por algo que permanece em você... pois é isso o que importa na vida: o que permanece. E você chega em casa, liga todas as luzes da bancada, olha sua imagem no espelho. Então, pense, perceba... Como você é deslumbrante! Como sua companhia é agradável, soberana e poderosa! Que outra criança fora fotografada brincando com um 'teimoso' e ao fundo, na foto, aparece um Lasar Segall na parede? Sem futilidades, mas sim, com qualidade. Será mesmo triste, o destino de carregar a responsabilidade de um modelo de felicidade? Será que você seria mais feliz se vivesse uma vida menos fácil, ocupando sua cabeça com estratégias, objetivos, preocupações, tudo para conseguir nada mais do que isso que você já tem? A sensação de 'fracasso', que ouvi de uma amiga, não é exclusividade dos que lutam e sonham... Pelo menos essas pessoas tentaram, se ocuparam e participaram de algum sistema. Pelo menos puderam escolher, ao passo que muita gente reclama. O fracasso não é perder, o fracasso é o vazio. E, se você perceber bem, ninguém é verdadeiramente vazio. Existem pessoas que são tão especiais, tão deslumbrantes e 'únicas', que elas jamais terão um grande amor, uma história de conquista. Elas simplesmente adaptam-se às suas realidades, se isolam e vivem suas vidas para si mesmas e para quem realmente lhes passam a sensação de amor: os pais, filhos. Filhos? Sim... você pode fabricar sua vida, casar-se, 'amar' e até criar planos, mesmo sabendo que o futuro é incerto - afinal, tanta gente teme as rugas e nem tem como saber se vai atingir a velhice... Mas, muito disso não é uma decisão, é uma solução estabelecida. Muitas coisas que fazemos pode ter uma certa obrigação que cobre a satisfação - cada um sabe de si. Um sistema. O que é surpreendente para os outros, te causa bocejos. Desde garoto você tinha uma vaga idéia ou certeza absoluta de que seria assim. Então, já que as grandes e verdadeiras paixões são despertadas por quem pode te surpreender, você acaba percebendo que as pessoas são tão iguais, tão previsíveis, que simplesmente perderam a graça. Então, você vai dar muita risada da situação, porque é tudo uma piada mesmo. A decisão de entrar na comédia, sentar na arquibancada ou ficar de fora, é sua. Mas, é claro que uma surpresa pode acontecer. Nada é impossível. Afinal, como à necessidade de uns sempre se pode agregar a facilidade proporcionada por outros, existe hoje em dia uma tropa de intermediários dispostos a se aproveitar da carência alheia. Não há nada de errado em mergulhar num negócio desses. Só não vá acreditar que conquistou um relacionamento assim por seus próprios méritos... é engraçado analisar e perceber que não é mera coincidência a amizade de um colega endividado com a sua 'nova paixão'. Ou você se reserva da bagunça, ou a aceita. Aceitar com mais disposição de usufruir das facilidades do que teorizar sobre elas, vai te fazer virar 'playboy'. Mas, qual a graça nisso? De todas as relações amorosas, esta não é a mais romântica, e talvez nem mesmo emocionante, mas é uma solução para os apressados e dispostos ao jogo da felicidade fabricada por poder, dinheiro e sexo - três elementos palpáveis e apalpáveis. Daqui para adiante, quem ficar na ciranda vai estar no alvo da bisbilhotice de todos seus assuntos íntimos. Então, vira um círculo vicioso - um 'rodízio' de interesses, falsidades e ilusões amorosas. Você pode até manter um 'amor' cuja tolerância é tratada com viagens, imóveis e automóveis, mas você jamais terá paz numa coisa dessas. Mas, surpresas acontecem, mesmo quando você já tem uma paixão verdadeira. Hoje eu recebi um telefonema, estava sem identificar o número... do outro lado ninguém falou, só uma música tocava... isso me surpreendeu. Quando acabou a música eu agradeci e desliguei. Ficou tudo por isso mesmo. Não sei quem me ligou... mas que foi bom, foi. Adoro ser lembrado.
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23.6.07 @17:14
ALLEGRA - Paradoxos de uma vida tresloucada
Cátia Andressa da Silva
Cena II (ALLEGRA caminha para o canto esquerdo do palco, olhando fixamente para a platéia,
enquanto a parede nas suas costas muda de cor, de branca para vermelha)
ALLEGRA - Também existem coisas nas nossas vidas que são florais, alegres...
O nascer e o pôr do sol, as margaridas e gérberas, o feijão, arroz e batata frita com coca cola light lemon,
a música do chico buarque (ALLEGRA canta um trecho de Apesar de Você)...
Também temos a poesia de augusto dos anjos e florbela espanca, os filmes franceses, os espanhóis, os gregos, os iranianos...
Todo mundo gosta de desenho animado, uma das invenções mais geniais do homem, depois da internet claro.
Ah, eu amo a internet e suas possibilidades, a comunicação é fascinante, ali você é o que você quer...
Fotografia é algo floral no mundo, que coisa incrível passar três horas relembrando aqueles momentos especiais...
sim, especiais, porque se não o fossem não seriam fotografados.
Comer em frente a televisão numa tarde de chuva, assistindo ao filme mais manjado
e brega do mundo também é uma das coisas mais florais do mundo.
Surtar de vez em quando também é algo sensacional. Eu adoro meus surtos, me divirto muito com eles.
Ainda existem os parques... no mundo inteiro existem parques em que você pode passar horas e horas e horas,
sem nunca se cansar de ali estar em uma canga lendo, namorando, bebendo um chimarrão, um vinho...
ou simplesmente curtindo a vista oferecida.
Ai, coisas florais... Existe algo mais floral que as estações do ano? Eu acho que não...
Sexo é floral, claro que sim, a paixão é floral, o encontro de duas peles hipnotizadas uma pela outra é floral.
Dia destes Allegra volta ao Circo da Poesia para continuar com suas divagações
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16.6.07 @23:04
SOLIDÃO? MAS QUE NADA... por
Cátia Andressa da Silva
Moro no mesmo endereço há vinte e seis anos... É, mudou a casa, mas o endereço permanece, nasci e ainda vivo no mesmo lugar. Lendo um texto há dois dias no blog do Jamill, um amigo "virtual", que sempre me emociona com seus escritos passei a refletir sobre a solidão da madrugada descrita por ele. Não sei se Jamill mora em apartamento ou em casa. Moro em casa de esquina, com pátio, num típico bairro de classe média, com ares interioranos. Na verdade, Novo Hamburgo, minha cidade, por mais que se desenvolva, conserva todas as características do interior: o sentido de comunidade, as fofocas, os vizinhos barulhentos conversando de seus portões com os outros do outro lado da rua. Há armazém, mercadinho, hipermercado, restaurantes, CTG's, campos de futebol, escolas municipais, escolas estaduais, igrejas (católicas, luteranas, pentecostais), farmácia, pecuária, barbeiro, salões de cabeleireiros, postos de gasolina, jornais, rádios, bares (muitos), vidraçarias, revendas de carros, oficinas mecânicas (agora tem uma ao lado da minha casa que faz carros de corrida e colecionadores), lavagens de carros, bancos, academias de ginástica, enfim, empresas de pequeno, médio porte e até mesmo algumas multinacionais. Meu bairro chama-se Ideal. É ideal morar no Ideal, diziam meus colegas de escola há alguns anos. Hoje é meio diferente: o segundo melhor bairro da cidade tornou-se o quinto mais violento, digo, o quinto bairro onde ocorrem mais assaltos, furtos e roubos, mais vítima da violência. Aqui chega a questão da solidão, não apenas a solidão da madrugada descrita pelo Jamill, mas a solidão do dia-a-dia, do medo, da individualidade forçada, atrás de portões e muros de três metros de altura (isso ainda vai explodir). No final de ano meu irmão e eu organizamos uma festa na rua para moradores e comerciantes, uma espécie de "quermesse", onde fechamos a rua, convidamos de casa em casa, decoramos, fizemos faixa de confraternização, cada um chegando com suas cadeiras e "comes e bebes", chimarrão... Nada sofisticado, popular mesmo. Ali reunimos dos mais pobres, operários, domésticas, até alguns dos maiores empresários da cidade. Sem esquecer do Zulu, que mora na rua. Todos unânimes: deveríamos ter feito isto há mais tempo. Saudosistas. Do tempo em que andávamos de patins ou bicicleta até meia noite enquanto nossos pais tomavam chimarrão na calçada toda sexta-feira, depois de seus expedientes de trabalho, depois de suas faxinas em casa... A festa de confraternização dos moradores foi até umas três da madrugada. Alguns vizinhos, com medo de ser "baderna", não vieram, mas umas sessenta pessoas participaram da festa, era uma grande roda de chimarrão e cerveja no meio da rua, a música tocando (bandinhas, sertanejas, românticas, pop, rock), democrática. As crianças brincando de pegar, dançando, correndo livres (mesmo que delimitadas pelos cavaletes da prefeitura que fecharam o trecho da rua). Pode parecer banal, mas foi uma noite emocionante. Todos, absolutamente todos, felizes, satisfeitos em poder fugir de suas solidões enclausuradas para sentir o aroma da noite, debaixo das árvores, bater papo, simplesmente. Celulares esquecidos, novelas e noticiários sangrentos esquecidos, MSN esquecido, problemas esquecidos, pelo menos das seis horas da tarde daquela sexta-feira, 23 de dezembro, até às três horas da manhã do sábado véspera de Natal... Todos nós queremos repetir a dose este ano, aumentando o tamanho da festa, convidando amigos das ruas próximas... Estamos começando a organização, os planos, o projeto da festa. Vai ser de arromba!!! Mas, porque uma festa deste tipo mexeu tanto conosco? Porque estamos vivendo num tempo tomado pela solidão. Eu gosto da solidão, gosto mesmo de estar num evento com mais de 500 mil pessoas circulando ao meu redor enquanto eu mergulho nos meus devaneios, me imagino sem observadores, na minha espiritualidade, na minha poesia... Mas a solidão que mais mata é a forçada, aquela que te impede de respirar porque te causa medo de fazer barulho e incomodar o outro, aquela que te deixa conectado trinta horas por dia, aquela que te impede de ter um bichinho de estimação correndo pelo pátio, sujando as mantas do sofá limpinhas com suas patinhas acabando de chegar da grama molhada da chuva... Isto é um desabafo? Não sei! Chamei de reflexão no início do texto, mas, não sei se o é. Ando meio frustrada com a prisão dos seres humanos, ando com vontade de pegar em armas e sair atirando em todas as redomas blindadas que nos cercam, tentando ensinar que a boa solidão é a que você escolhe, não a que te empurra ao individualismo, não a que te torna "operário padrão", robotizado. Não quero que me forcem o convívio com os outros, mas que, de alguma maneira, também me empurrem garganta abaixo esse mesmo convívio. Quero me tornar dependente dos velhos tempos, livres, de mais sorrisos e menos telefonemas de negócio. Meu irmão Jéferson tem uma pecuária, que ele deu o nome de Popular, e ela me faz ainda acreditar nisso, pela junção de vizinhos que se estabelece nos finais de tarde e aos sábados e domingos pela manhã, vindo para comprar erva, rações ou simplesmente para tomar seu clássico chimarrão, sem classe social, sem estado civil, sem religião, sem gênero, sem etnia, sem condição sexual. Apenas democrático, o chimarrão...
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6.6.07 @01:16
No Dia Mundial do Meio Ambiente, deixo o manifesto escrito por Juca Chaves e o link da campanha liderada por Victor Fasano e Christiane Torloni em defesa do nosso maior patrimônio... Sem mais...
Solicito aos amigos e passantes que, por favor, assinem o manifesto para que ele cumpra a meta de um milhão de assinaturas e, por enquanto, temos apenas a metade destas.
Um abraço
Cátia Andressa da Silva
CARTA ABERTA DE ARTISTAS BRASILEIROS SOBRE A DEVASTAÇÃO DA AMAZÔNIA
Acabamos de comemorar o menor desmatamento da Floresta Amazônica dos últimos três anos: 17 mil quilômetros quadrados. É quase a metade da Holanda. Da área total já desmatamos 16%, o equivalente a duas vezes a Alemanha e três Estados de São Paulo. Não há motivo para comemorações. A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas presta serviços ambientais importantíssimos ao Brasil e ao Planeta. Essa vastidão verde que se estende por mais de cinco milhões de quilômetros quadrados é um lençol térmico engendrado pela natureza para que os raios solares não atinjam o solo, propiciando a vida da mais exuberante floresta da terra e auxiliando na regulação da temperatura do Planeta.
Depois de tombada na sua pujança, estuprada por madeireiros sem escrúpulos, ateiam fogo às suas vestes de esmeralda abrindo passagem aos forasteiros que a humilham ao semear capim e soja nas cinzas de castanheiras centenárias. Apesar do extraordinário esforço de implantarmos unidades de conservação como alternativas de desenvolvimento sustentável, a devastação continua. Mesmo depois do sangue de Chico Mendes ter selado o pacto de harmonia homem/natureza, entre seringueiros e indígenas, mesmo depois da aliança dos povos da floresta ¿pelo direito de manter nossas florestas em pé, porque delas dependemos para viver¿, mesmo depois de inúmeras sagas cheias de heroísmo, morte e paixão pela Amazônia, a devastação continua.
Como no passado, enxergamos a Floresta como um obstáculo ao progresso, como área a ser vencida e conquistada. Um imenso estoque de terras a se tornarem pastos pouco produtivos, campos de soja e espécies vegetais para combustíveis alternativos ou então uma fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, minerais e energia elétrica. Continuamos um povo irresponsável. O desmatamento e o incêndio são o símbolo da nossa incapacidade de compreender a delicadeza e a instabilidade do ecossistema amazônico e como tratá-lo.
Um país que tem 165.000 km2 de área desflorestada, abandonada ou semi-abandonada, pode dobrar a sua produção de grãos sem a necessidade de derrubar uma única árvore. É urgente que nos tornemos responsáveis pelo gerenciamento do que resta dos nossos valiosos recursos naturais.
Portanto, a nosso ver, como único procedimento cabível para desacelerar os efeitos quase irreversíveis da devastação, segundo o que determina o § 4º, do Artigo 225 da Constituição Federal, onde se lê:
"A Floresta Amazônica é patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais"
Assim, deve-se implementar em níveis Federal, Estadual e Municipal A INTERRUPÇÃO IMEDIATA DO DESMATAMENTO DA FLORESTA AMAZÔNICA. JÁ!
É hora de enxergarmos nossas árvores como monumentos de nossa cultura e história.
SOMOS UM POVO DA FLORESTA!
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3.6.07 @21:05
Do Livro de Renato Campão, "Comédia Negra", interessante, paradoxal, cotidiano ou deboche deste mesmo...
O CIRCO DO HORROR
Cena I
O quadro da dor com a moldura do ódio
...
- Socorro! Socorro! Socorro! Estou presa e fui enfeitiçada. Perseguida, mas não desamparada; abatida, mas não destruída. Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor no meu corpo, para que a vida dele se manifeste também em todos os corpos. E assim, viva, estarei sempre entregue à morte por amor ao Senhor.
De maneira que em mim opera a morte, e nele a vida. Mas sabendo que o que ressuscitou o Senhor nos ressuscitará também. Por isso, não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória. E não atendendo nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.
(Rêlampago. Tempestade.)
- Eu acho que vai chover. Não, eu acho que vai fazer sol. Eu acho que sou mulher. Não, eu acho que sou homem. Eu acho que sou feia. Não, eu acho que sou bonita. Eu acho que estou bem. Não, eu acho que estou mal. Eu acho que eu sou eu mesma. Não, eu acho que sou outra. Eu acho que estou sonhando. Não, eu estou acordada. Ou eu morri? Não, eu acho que eu estou viva. Eu estou viva. Viva. Pesadelo.
[...]
Cena II
O medo não é uma opção
...
- Era uma mulher simples e bondosa, vivendo no estreito círculo das minhas ocupações domésticas, trabalhando, durante toda a semana, e sem conhecer outros prazeres além do de sair aos domingos a passear pela cidade com as companheiras, com o modesto vestido que tanto custei a comprar; e uma ou outra vez, em dia de festa, dançar com um rapaz conhecido, e, quando muito, tagarelar com alguma amiga sobre qualquer rixa ou maledicência. Pouco a pouco esses primeiros prazeres se tornaram insípidos para mim, até que, um dia, encontrei um homem, para quem um sentimento desconhecido me atraiu com força irresistível.
(Pensa alto) - Não há motivo para comparar um suicídio com uma ação heróica e grandiosa. Por isso o suicídio só pode ser considerado como uma covardia, sendo como é certo que é mais fácil morrer do que suportar com coragem uma vida cheia de tormentos.
- Nele depus todas as esperanças, esqueci tudo o que me rodeava, já não via, já não ouvia, não buscava senão aquele homem, só pra ele vivia e respirava. Como não estava corrompida pela vã satisfação de uma vaidade inconstante, todos os meus desejos visavam a um fim: ser dele, achar naquela união toda a felicidade que me faltava, realizando desse modo o constante sonho da minha vida.
(Pensa alto) - Será isto uma ridícula vaidade, ou o sentimento profundo e íntimo do valor que esse amor me dá?
[...]
CAMPÃO, Renato.
A comédia negra. Fumproarte: Porto Alegre, 2002. pp. 136-137
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30.5.07 @00:17
Uma tarde de segunda-feira em que o Sol que eu buscava teimava em fugir. Eram dois minutos de Sol gostoso aquecendo minha pele e oito minutos de sentir os pelos arrepiados tocando as roupas, naquela sensação esquisita. No I-Pod, Zeca Baleiro e a trilha de ¿O Fabuloso Destino de Amélie Poulain¿ me embalavam. Eu sabia que havia uma fila de ¿coisas mais importantes¿ a fazer, mas eu me permiti ficar naquela sensação de ¿morgação¿. Entre terminar a leitura da ¿insuportável¿ revista Veja da semana e pegar o bloquinho, me deixei levar pelos sons do início da tarde, dos adolescentes excitados passando em direção ao Osvaldo, dos peões saindo de seus almoços no Arte & Sabor, dos carros apressados subindo e descendo as ruas do Ipê e Timbaúva (moro numa casa de esquina). Há uma certa movimentação de senhorinhas da ¿melhor idade¿, parecendo que estão rumando a alguma ¿atividade¿ no supracitado restaurante. Eu gosto de observa-las, imaginando se vou ou não chegar às suas idades, quiçá com sua energia.
Ao mesmo tempo em que a expectativa de vida aumenta, os males desta tal pós-modernidade crescem de forma dúbia. Estresse, café, violência (reina a pedagogia do medo), álcool, fumo, fuga da dita ¿vida saudável¿, facilitada pela tal ¿vida prática¿. É óbvio que computador, celular, controle remoto, microondas e afins nos afastaram das ruas antes mesmo da ascensão dos perigos externos. Quantos vizinhos conhecemos? Quantas vezes na semana tiramos pelo menos dez minutinhos das nossas vinte e quatro horas para saber sobre suas saúdes, filhos, sonhos? Há uns quatro dias, na sexta-feira, uma amiga querida faleceu. Com cinqüenta anos! De Leucemia! Trabalhava dentro de uma UBS e ficou dois anos buscando o diagnóstico, que chegou dois dias antes do óbito. A pergunta de sempre: Porquê? E depois, os questionamentos interiores: E eu, o que fiz? Há oito meses soube que alguns problemas de saúde a afligiam... Tá! Há dois meses a encontrei numa festa, feliz, bem... E agora? Agora, isso!!! Chocou, doeu pra caramba, assustou, mas isso não mudou nada. Fatos são Fatos! Semana passada, na quarta-feira, passei o dia com uma amiga que reclamava de seus olhos lacrimejantes e a boca adormecida... Passou... Ontem, domingo, ela me ligou, com a voz afetada, dizendo que teve uma Paralisia Facial, do lado direito do rosto, causada pelo estresse, a má alimentação e outros fatores agravantes... E serão ao menos seis meses de fisioterapia. Eu, no dia, achei que era somente um mal-estar (até pensamos num choque-térmico, afinal aqui está fazendo uma média de dez graus), sugeri procurar um médico e só. Mas o outro e os outros dias fizeram com que eu me esquecesse de preocupar-me com minha amiga. Ana Carolina, sua cantora preferida, agora é minha trilha sonora... O Sol se foi, ainda no início da tarde desta segunda-feira, junto com meus pensamentos... Quem cuidará de mim? Quem, neste momento em que reflito, estará preocupado comigo? Provavelmente, ninguém!!! E isto não pode me magoar, eu mesma não tenho olhado o outro, preocupada demais com minha própria ¿vidinha¿, pra prestar atenção na vida que segue seu curso, sua espiral, complexa demais pra sequer saber que eu existo.
Cátia Andressa da Silva
Trilha para esse momento todo?
Será, do Legião Urbana...
Aproveito pra deixar meu poema chamado:
Os Outros
Eles que ali estão
A buscar suas coisas, coisas tão
pequenas...
Seres de dimensão insignificante.
Seres de diferença tão gritante.
Quem são estes seres?
São os outros de que falo, de constantes buscas;
Que se metamorfoseiam atrás de um quê
a mais
que estão sempre afoitos por
diferenças
Elas os movem, elas os alimentam.
Fazem tudo e mais tudo e mais tudo e
mais nada!!!
Com dedos ágeis, dedos compridos,
dedos finos...
Tá, e daí?
Preocupados, não, não existem;
São quase alienados
Ou não
Talvez os outros estejam atrás do bem
comum
Talvez os outros
não estejam atrás de nada
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27.5.07 @22:19
Quarta-Feira, 23 de maio de 2005.
Universidade do Vale do Rio dos Sinos ¿ UNISINOS
Simpósio Internacional O Futuro da Autonomia: uma sociedade de indivíduos
9:00 ¿ O futuro da autonomia e a construção de uma sociedade de indivíduos. Uma leitura sociológica
Prof. Dr. Robert Castel ¿ França
- são várias dimensões para trabalhar a autonomia: filosófica, psicológica, psicanalítica;
- precisamos refletir sobre as condições da independência social do indivíduo;
- precisamos fazer escolhas;
- independência depende de condições/suportes:
propriedade privada (para ser um indivíduo completo, pela História Social vemos esta necessidade) ¿ forma excludente;
Estado Social ou
Estado Providência - garantias básicas para a independência do indivíduo, que depois, desaparecem;
- o fundamento da ordem econômica e social é o indivíduo/cidadão, que, teoricamente, deve ser proprietário de si próprio;
-
precarização/exclusão/ individualização - trabalho ¿ as tarefas cada vez mais individuais; o envolvimento não é mais coletivo, é pessoal; todos estão contra todos;
- proliferação das populações que estão aquém, surgindo o
Estado Precariado;
- Castel diz que esta é a condição comum à França/Europa e Brasil/América Latina que temos hoje. Não é papel do sociólogo, segundo ele, fazer previsões sobre a realidade daqui a 10 ou 20 anos, mas de trazer à tona a realidade atual.
como os tópicos que coloquei anteriormente, estes também estão aqui para que cada um faça sua reflexão desta sociedade da ¿autonomia¿, hipermodernidade, pós-modernidade ou modernidade tardia, como queiram defini-la. O evento estava sensacional...
10:45 ¿ O futuro da autonomia e a construção de uma sociedade de indivíduos. Uma leitura psicanalítica
Prof. Dr. Benilton Bezerra Jr. - UERJ ¿ Brasil
- pra começar, nos afirmamos como indivíduos quando colocamos em segundo plano a tradição, o nosso legado;
- buscamos a transcendência quando vamos ao supermercado, por exemplo;
- nossa época é de esmaecimento do simbólico do sujeito;
- Bezerra Jr. chama esta época de
Modernidade Tardia, refuta o termo pós-modernidade;
- a modernidade tardia faz referência a transcendência laica (utopia, ética, ideologia), não religiosa, espiritual;
- é a sociedade que cultiva o
imperativo ao gozo - ser bem sucedido, ter prazer, estar realizado ¿ uma
sociedade de espetáculo, onde
parecer estar nessas condições é mais importante do que, propriamente, estar sob estas condições;
- subjetividade somática ¿ imagem corporal definitiva nas trocas sociais ¿
corpo como forma de expressão (referência à cultura européia dos corpos mutilados, transformados, e para conhecer mais esta cultura, sugiro ler
Massimo Canevacci);
- emergência do sujeito cerebral ¿ revela a ampliação das intervenções biológicas para transformar o indivíduo;
- há uma condição que propõe, teoricamente, a fusão do cerebral e do social, apresentando o cérebro como aquilo que nos define como sujeitos;
- tendência de utilizar o vocabulário biológico para tratar do emocional, por exemplo, ao invés de dizer irritado, utiliza-se estressado; para dizer macambúzio, jururu, desanimado, utiliza-se, de forma perigosa, depressivo...
- a psicopatologia descritiva foi o primeiro passo para detectar determinadas ¿doenças¿, através de uma lista de sintomas definia-se a condição;
- o surgimento da indústria farmacêutica, nos anos 1950 mudou um pouco este cenário;
- nos anos 1990, surgiram as neurociências, trazendo um novo olhar para as doenças do cérebro, trouxe um novo olhar, mais
interessado, para o cérebro;
- sugestão de buscar no Google:
neuropolítica, neuroteologia, neuroeconomia, neuromarketing, etc...;
- são mais de 300 anos onde procuramos na natureza biológica a nossa essência subjetiva; mente e cérebro possuem uma longa história ( Franz Gall [1758-1828], Lombroso [1835-1909], Phineas Gage [1848], FRENOLOGIA [PHRENOLOGY ¿ 1596] );
- reducionismo metodológico ¿ afirmar que as neurociências são um campo homogêneo, na verdade, é muito diverso;
- o correlato neural da experiência exige
investigação;
- genes / expressão genética é diferente de determinismo genético;
- cérebro como ator biológico isolado do corpo ¿ REFUTADO, nossa experiência se dá num contínuo: mente>corpo>ambiente...
20:00 ¿ O Futuro da Autonomia e os Tempos Hipermodernos
Prof. Dr. Gilles Lipovetsky - França
autor de
O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas e
Tempos Hipermodernos, entre outros...
- Pós-Moderno = expressão ambígua, desajeitada e errônea. É mais correto afirmar que estamos na
Segunda Modernidade;
- Época de individualismo LIMITADO;
- explosão dos antigos freios da autonomia individual ¿
Hipermodernidade - enfraquecimento dos coletivos ¿ emancipação dos indivíduos;
- Não estamos na
Sociedade de Controle, como afirmam alguns. Há sim um controle dos indivíduos, mas ele não é absoluto;
- nova aventura da autonomia;
-
Modernidade - vestuário ¿ homogeneidade representante da classe social;
-
Segunda Modernidade - heterogêneo ¿ blusa Gucci e saia Zara, por exemplo, mostrando que pode-se misturar o nobre, representado pela Gucci e o plebeu, representado pela Zara, marca de roupas ¿populares¿, que equivale à Renner, no Brasil;
- Mistura ¿ individualismo hipermoderno ¿ lógica de fragmentação;
- No universo da autonomia ¿ NÃO SE É DONO DE SI;
-
Paradoxo - senhores de nós mesmos ao mesmo tempo em que somos despossuídos;
- Despossuir de si mesmo: não poder controlar sua vida é o primeiro paradoxo;
- segundo paradoxo: hedonismo consumidor ¿ onde surgem as psicopatologias;
- terceiro paradoxo: universo do hipermoderno é universo do consumo ¿ cultura
dionisiana;
- cultura da insegurança em tudo mostra que
não é evidente que ganhar em liberdade signifique ganhar em felicidade;
- a autonomia, fique claro, traz cada vez mais problemas ao indivíduo;
- quarto paradoxo: excesso, ¿hiper¿moderno: individualismo no sentido da existência.
¿A época contemporânea renuncia o futuro em nome do presente. É o gozo imediato, aqui e agora.¿ Gilles Lipovetsky, Unisinos, Brasil, 23/05/2007.
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23.5.07 @14:19
Segunda-Feira, 21 de maio de 2007.
SIMPÓSIO INTERNACIONAL O FUTURO DA AUTONOMIA: uma sociedade de indivíduos?
17:45: O futuro da autonomia. Uma sociedade de indivíduos. Desafios e prospectivas. Prof. Dr. Charles Melman, Université Paris XIII
A perversão do consumo resulta no não saber mais pensar, pois o pensamento implica em decidir e escolher
- autonomia sem fundamento estrutural não existe, é utopia;
- verbo/logos fundam nossa humanidade;
- jovens que parecem completamente emancipados, livres, não conseguem dirigir ou dar direção à sua própria vida, mostrando que são necessários limites à liberdade que nos é dada;
- vivemos em estado de desorientação, nossos jovens não mais encontram vocação. São livres, mas, para escolher entre o ¿q¿ e o ¿q¿?
- somos negligentes em relação à autonomia da palavra, à retórica, mostrando que o poder da palavra hoje vive às margens. Isso é uma crise epistemológica ou uma nova epistemologia?
- não queremos mais renunciar a nada; não queremos mais jogar nada fora; nem em pensamento negamos mais nada; ao mesmo tempo queremos consumir tudo;
Deixo estas provocações levantadas por Melman, que, realmente, tendem a nos ilustrar de forma crua. Assim que possível coloco as provocações de outros debates do simpósio, que está excelente desde sua abertura.
Um abraço
Cátia Andressa da Silva
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20.5.07 @12:55
sexta-feira teve uma noite muito fria. deviam fazer uns 10 graus madrugada adentro. meus dedos das mãos doíam ao digitar, porque estavam muito frios. os dos pés estavam aquecidos, dentro do meu par de meias havaianas e minha pantufa de joaninha, presente do meu amado primo rafa na minha formatura... mas, voltando à noite fria, ela foi estranha, porque, ao contrário daquelas noites frias em que me jogo embaixo de 3 edredosn, ligo meu i-pod e durmo com minhas canções favoritas, nesta eu tive medo... não sei se o medo era de dormir pra sempre... ou de ter um sonho mau... ou mesmo ter um sonho muito bom... não sei... mas, pensar em me deitar me deixava arrepiada (e não era do frio que fazia). eu tive até dores de barriga com fortes cólicas abdominais por causa disto... coisa estranha, não consigo explicar até agora, domingo, 36 horas depois... nem quero explicações. na verdade, eu vivo buscando explicação para tudo e acabo descobrindo que não tenho explicação pra nada. deixa estar. trilha pra isso? maria bethânia
cátia andressa da silva
ah, hoje é aniver da minha querida amiga patrícia spier, a pati, ou janis para os íntimos... pati, te adoro sempre, te respeito sempre...
quem quiser conhecer mais da pati, escute a unisinos fm 103.3 de segunda à sexta, do meio dia às duas, no programa blá blá blá ou assista ao uni news das sextas, na agenda cultural.
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19.5.07 @01:58
Quer me encontrar semana que vem? Procure-me no evento abaixo:
Belíssima programação, como sempre, do Instituto Humanitas Unisinos, que foi minha casa durante 4 anos muito especiais.
Simpósio Internacional O futuro da autonomia. Uma sociedade de indivíduos?
Apresentação
A Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio, sob a coordenação do Instituto Humanitas Unisinos - IHU, realizarão no período de 21 a 24 de maio de 2007, o Simpósio Internacional O futuro da autonomia. Uma sociedade de indivíduos?
Realização
Início: 21 de maio de 2007
Término: 24 de maio de 2007
Dias: 21, 22, 23 e 24 de maio de 2007
Horário: conforme programa
Duração: 40 horas
Local: Anfiteatro Pe. Werner
Objetivo geral:
Conceitualizar e debater, em uma visão transdisciplinar, o impacto cultural da autonomia do sujeito nas relações sociais, políticas, econômicas, ecológicas e religiosas.
Objetivos específicos:
- descrever e refletir sobre o significado e o alcance da autonomia do sujeito para o futuro da política, da economia e da cultura na sociedade da tecnociência;
- refletir sobre as possibilidades de uma sociedade de indivíduos autônomos;
- discutir os desafios que o futuro da autonomia traz para a reflexão teológica e a experiência religiosa na contemporaneidade;
- analisar possíveis razões do viver em comum a serem dadas pelo indivíduo/sujeito autocriador.
Público-alvo
Professores, estudantes universitários e comunidade em geral.
Programação*
21 de maio de 2007 ¿ segunda-feira
8h ¿ Credenciamento
17h ¿ Abertura
17h45min ¿ O futuro da autonomia. Uma sociedade de indivíduos. Desafios e prospectivas. Prof. Dr. Charles Melman, Université Paris XIII.
19h15min ¿ Debate
20h às 22h ¿ Confraternização
22 de maio de 2007 ¿ terça-feira
8h45min ¿ Recepção
9h ¿ A secularização da secularização. Possibilidades e limites do futuro da autonomia. Prof. Dr. Jean-Claude Monod, CNRS, Paris.
10h30min ¿ Intervalo
11h às 12h ¿ Debate
14h30min às 16h30min - Minicursos
Turma 4560 - Os novos movimentos religiosos e a sociedade de indivíduos. Prof. Dr. Carlos Steil, UFRGS.
Local: Sala 5B200
Turma 4562 - O destino do ser na era do individualismo. Prof. Dr. Ernildo Stein, PUC-RS.
Local: Sala 1G119
Turma 4564 - A ética e a crise da modernidade. Uma leitura a partir da obra de Henrique Lima Vaz. Prof. Dr. Marcelo Perine, PUC-SP.
Local: Sala 5B300
Turma 4566 - A ética e a crise da modernidade. Uma leitura a partir da obra de Charles Taylor. Prof. Dr. Paulo Roberto M. de Araújo, Universidade Mackenzie, SP.
Local: Sala 5B301
Turma 4569 - A subjetividade moderna. Possibilidades e limites para o cristianismo. Prof. Dr. Franklin Leopoldo e Silva, USP.
Local: Sala 1C109
Turma 4570 - A autonomia na pós-modernidade. Um delírio? Prof. Dr. Mario Fleig, Unisinos.
Local: Sala 1C107
Turma 4571 - A autonomia do sujeito em Kant. Prof. Dr. Valério Rohden, Ulbra.
Local: Sala 1C108
17h às 18h ¿ Comunicações
19h15min às 20h ¿ Atividade cultural: Banda Gingapraquê? - EST
Local: Hall Anfiteatro Pe. Werner
20h às 21h30min ¿ Autonomia do indivíduo e pensamento fraco. Os desafios para uma ética sociopolítica. Prof. Dr. Santiago Zabala - Pontifical Lateran University of Rome, Itália.
21h30min às 22h15min - Debate
23 de maio de 2007 ¿ quarta-feira
8h45min ¿ Recepção
9h às 10h30min ¿ O futuro da autonomia e a construção de uma sociedade de indivíduos. Uma leitura sociológica. Prof. Dr. Robert Castel, EHESS, Paris.
10h30min às 10h45min - Intervalo
10h45min ¿ O futuro da autonomia e a construção de uma sociedade de indivíduos. Uma leitura psicanalítica. Prof. Dr. Benilton Bezerra Jr., IMS, UERJ.
12h15min às 13h ¿ Debate
14h30min às 16h30min ¿ Minicursos
Turma 4561 - Os novos movimentos religiosos e a sociedade de indivíduos - Prof. Dr. Carlos Steil, UFRGS.
Local: Sala 5B200
Turma 4563 - O destino do ser na era do individualismo. Prof. Dr. Ernildo Stein, PUC-RS.
Local: Sala 1G119
Turma 4565 - A ética e a crise da modernidade. Uma leitura a partir da obra de Henrique Lima Vaz. Prof. Dr. Marcelo Perine, PUC-SP.
Local: Sala 5B300
Turma 4567 - A ética e a crise da modernidade. Uma leitura a partir da obra de Charles Taylor - Paulo Roberto M. de Araújo, Universidade Mackenzie, SP.
Local: Sala 5B301
Turma 4572 - A ¿nova¿ subjetividade operária nas relações de trabalho pós-fordistas. Prof. MS. Cesar Sanson, CEPAT.
Local: Sala 1C107
Turma 4574 - Homo automaticus. Novos enlaces entre gozo e saber. Prof. Dr. Alfredo Jerusalinsky, APPOA.
Local: Sala 1C108
Turma 4576 - A moral após o individualismo ¿ Prof. Dr. Paul Valadier, Centre Sèvres, Paris.
Local: Anfiteatro Pe. Werner
17h às 18h30min ¿ Comunicações
20h às 21h30min ¿ O futuro da autonomia e os tempos hipermodernos. Prof. Dr. Gilles Lipovetsky, Université de Grenoble, França.
21h30min às 22h15min ¿ Debate
24 de maio de 2007 - quinta-feira
8h45min ¿ Recepção
9h - A autonomia do sujeito na arte. Affonso Romano de Sant'Anna, poeta, ensaísta, professor e cronista.
10h30min ¿ Intervalo
10h45min às 12h45min ¿ Comunicaçãoes
14h30min às 16h ¿ O futuro da autonomia do indivíduo, política e nihilismo. Prof. Dr. Paul Valadier, Centre Sèvres, Paris.
16h às 17h ¿ Debate
17h às 17h30min - Encerramento
Observação
O participante deverá escolher minicursos diferentes nos dias 22 e 23 de maio.
Hospedagem em São Leopoldo
Convento Monte Alverne
Rua São José 584 ¿ São Leopoldo
Fone: 51 -3588-1143
E-mail: rosinhaines@yahoo.com.br ou rosinhaines@brturbo.com.br
Diária: R$21,00 (apto. individual c/ banheiro coletivo/ com café da manhã)
Diária: R$24,00 (apto. individual c/ banheiro individual/ com café da manhã)
Hotel Suarez
Rua São Caetano 273 - Centro - São Leopoldo
Fone/fax: 51 3037.5000
Diária: R$75,00 + 10% (apto. Standard/ com café da manhã)
E-mail: saoleopoldo@hotelsuarez.com.br
Complexo de Desporto e Lazer ¿ Unisinos
E-mail: alojamento@unisinos.br
Diária: R$10,00 (quartos coletivos, sem roupa de cama e sem café da manhã)
*Sujeito a alterações
Investimento
À vista
Estudantes - R$60,00
Profissionais - R$120,00
Coordenação
Profa. MS Ana Maria Formoso
Profa. Dra. Cleusa Maria Andreatta
Prof. MS Gilberto Faggion
Profa. Dra. Hiliana Reis
Prof. Dr. Inácio Neutzling
Jacinto Schneider
Prof. MS Laurício Neumann
Profa. Dra. Marilene Maia
MS Rosa Maria Serra Bavaresco
Esp. Susana Rocca
Profa. MS Vera Regina Schmitz
Comissão Técnico-Científica
Profa. Dra. Christa Berger ¿ PPG em Comunicação
Prof. Dr. Danilo Streck ¿ PPG em Educação
Profa. Dra. Eliana Yunes ¿ PUC-Rio
Prof. Dr. Inacio Helfer ¿ PPG em Filosofia
Prof. Dr. Inácio Neutzling - IHU
Prof. Dr. José Ivo Follmann ¿ PPG em Ciências Sociais
Prof. Dr. José Luiz Bica de Melo ¿ PPG em Ciências Sociais
Prof. Dr. Leonel Severo Rocha ¿ PPG em Direito
Prof. Dr. Maria Clara Bingemer ¿ PUC-Rio
Prof. Dr. Mário Fleig ¿ PPG em Filosofia
Prof. Dr. Pedro Gilberto Gomes ¿ PPG em Ciências da Comunicação
Profa. Dra. Stela Meneghel - PPG em Saúde Coletiva
Profa. Dra. Vera Ramires - PPG em Psicologia
Promoção
Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos
Instituto Humanitas Unisinos ¿ IHU
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro ¿ PUC-Rio
Co-promoção
PPG em Ciências Sociais
PPG em Comunicação
PPG em Direito
PPG em Educação
PPG em Filosofia
PPG em Psicologia
PPG em Saúde Coletiva
Apoio
Centro Magis
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior ¿ CAPES
Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP
Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul ¿ FAPERGS
Ministério da Ciência e Tecnologia
Ministério da Cultura
Informações
Linha Direta Unisinos: +55 (51) 3591 1122
Email: humanitas@unisinos.br
http://www.unisinos.br/eventos
http://www.unisinos.br/ihu
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17.5.07 @00:29
quero ir morar na lua e quero uma companhia
que fume o mesmo cigarro que eu e que tome chimarrão todos os dias
que goste de ficar de meia no pé e saiba poemas pra me dizer...
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15.5.07 @01:37
O MINISTRO DA SAÚDE PEDIU PARA QUE AS MULHERES DO BRASIL VENHAM A PÚBLICO MANIFESTAR-SE SOBRE O ABORTO, SOBRE SUA DESCRIMINALIZAÇÃO OU NÃO...
BEM, ESTOU AQUI CONVOCANDO MINHAS AMIGAS E TODAS AS MULHERES QUE VISITAREM MEU BLOG A SE POSICIONAREM SOBRE O ASSUNTO, DISCUTINDO, COLOCANDO SUAS IDÉIAS AO PÚBLICO, TANTO AS FAVORÁVEIS QUANTO AS CONTRÁRIAS À LEGALIZAÇÃO...
BEM, NÃO SOU INDISCRIMINADAMENTE FAVORÁVEL, DE FORMA ALGUMA. CONCORDO COM A PRÁTICA SOMENTE EM CASOS DE ESTUPRO OU QUANDO A GRAVIDEZ OFERECE RISCOS OU SABE-SE DA NÃO SOBREVIDA DO FETO... MAS EU AINDA CHORO, ME EMOCIONO, QUANDO EU LEMBRO DE CASOS QUE PRESENCIEI COM AMIGAS OU SOUBE POR OUTROS... EU NÃO QUERO MAIS SEGURAR A MÃO DE ALGUÉM ENQUANTO VEJO O FETO CAIR NO VASO SANITÁRIO, ENQUANTO A MULHER SE ESVAI EM UMA HEMORRAGIA HORROROSA! EU NÃO QUERO MAIS PASSAR DIAS CUIDANDO DE UMA AMIGA COM UMA INFECÇÃO TREMENDA DECORRENTE DA PRÁTICA!!! SABE PQ? PORQUE UMA COMPROU CITOTEC POR 150 REAIS E A OUTRA PAGOU 3000 REAIS NUM "AÇOUGUE" PELO DIREITO DE DECIDIR SOBRE O PRÓPRIO CORPO. É UM SOCO NA BOCA DO ESTÔMAGO SIM, É FORTE DEMAIS SIM... MAS EU NÃO AGUENTO MAIS ISSO SER SEMPRE DEIXADO DE LADO DAS DISCUSSÕES DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE. EU QUERO UMA DISCUSSÃO NACIONAL SIM, AGORA!!!
E PAPA 'BENTINHO' ALGUM TEM O DIREITO DE FALAR O QUE AS MULHERES DEVEM FAZER COM SEU CORPO, COM SUA VIDA.
VAMOS MULHERES, CHAMAR A PÚBLICO ESTA DISCUSSÃO...
PRA ONTEM!!!
Cátia Andressa da Silva